quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Artigo: A bandalheira na política parece sem limite

http://3.bp.blogspot.com/-iH_enjohCSY/TdP1HBAlakI/AAAAAAAAADo/6yZGpheRAx4/s220/PL%2B1.1.jpgPor César Santos

O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, planeja para março próximo oficializar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro do Partido Liberal (PL), que existiu no passado e teve o nome modificado para Partido Republicano (PR).

Kassab já é dono do PSD, partido que ele criou quando deixou o Democratas, que vem se arrastando desde a época de Arena, passando por PDS e PFL.

A intenção de Kassab é usar a nova agremiação para ajudar a presidente Dilma Rousseff (PT) a esvaziar partidos que incomodam o governo, com mira voltada para o trabalhoso PMDB, do vice-presidente da República Michel Temer, e o PSDB, que decidiu fazer oposição de verdade.

Com a criação de novo partido, os políticos com mandato podem fazer a travessia sem o risco de ser alcançado pela lei da fidelidade partidária. Ou seja, o jeitinho brasileiro para driblar a legislação.

A partir daí, o novo partido com livre trânsito na Casa Civil, ganharia volume para enfrentar os adversários da presidente Dilma e fortalecer a sua base de sustentação no Congresso Nacional.

Kassab orientou seus aliados para que eles concluam a coleta de assinaturas até março, uma vez que o partido precisa ser reconhecido e oficializado pelo TSE até o início de outubro deste ano, para que possa disputar as eleições municipais de 2016.

Pois bem.

Essa é mais pura – e fétida – prova da bandalheira da política brasileira. Os interesses de grupos e individuais, quase sempre distantes dos interesses da nação, se sobrepõem ao mínimo de decência, numa espécie de vale-tudo que acaba produzindo atos e comportamentos vergonhosos, como a corrupção que enlameia a vida pública brasileira, fazendo vítima o patrimônio do País.

Agora, deve ser observado que essa prática de criar partidos, sem qualquer sustentação ideológica ou ética, ocorre devidamente amparado pela lei e chancelada pela Justiça.

Para criar um partido basta coletar o número de assinaturas previstas em lei, elaborar um estatuto que é encontrado em qualquer esquina e oficializar o pedido ao Tribunal Superior Eleitoral. O passo seguinte, formar a direção nacional, os diretórios estaduais e municipais.
Fácil, fácil.

Uma vez criado, o partido passa a beliscar uma fatia do fundo partidário, ter direito a tempo de rádio e televisão e participar diretamente das disputas eleitorais. Um grande negócio.

Por isso, o sistema político brasileiro contar hoje com mais de três dezenas de partidos, numa mistura de letras e de gente que pouco, ou nada, acrescentam ao País.

Infelizmente, a reforma política vai ficar para trás.

Autor: César Santos (Jornal de Fato)

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